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Varejo - Um setor em busca de equilíbrio

As vendas por metro quadrado das lojas dos shopping centers americanos (excluindo as âncoras) caíram 5,2% em 2008 e 7,2% em 2009, retratando as dificuldades pelas quais o varejo daquele país passou nesse período. Em 2007 haviam crescido apenas 1% e no primeiro trimestre de 2010 voltaram a crescer: 4,9%, mas sobre uma base bastante deprimida.

Os dados do setor de Shopping Centers nos Estados Unidos têm uma representatividade muito maior que no Brasil, pois em seus números estão todas as operações que envolvem centros comerciais planejados, que vão dos grandes shoppings regionais às mais simples operações de agrupamentos de lojas ancorados por uma grande operação (como temos no Brasil os hipermercados com suas lojas satélites). Por conta disso, pode-se considerar que as vendas dos shoppings nos Estados Unidos representam o comportamento do varejo norte-americano, excluídos veículos, combustíveis, internet, venda direta e clubes de atacado e supercenters em operação free standing.

Foram exatamente os Clubes de Atacado, os Supercenters e o e-commerce os setores com maior crescimento de vendas e que reduziram a queda enfrentada por outros segmentos do varejo.

O drama do setor é conhecido e o desempenho recente criou a esperança de que possa estar no início um ciclo de recuperação dos índices, mas não do volume das vendas, uma vez que a base de comparação é muito baixa. Mas, pelo menos, é um alento. E esse foi o tom que predominou durante o RECon, principal encontro do setor em Las Vegas, na semana passada, evento que reuniu perto de 140 brasileiros. Lá, a ABRASCE e a GS&MD - Gouvêa de Souza coordenaram um grupo de dirigentes e executivos do setor do Brasil.

Esse evento, que há quatro anos recebia perto de 55 mil visitantes, em 2010 alcançou entre 25 mil e 30 mil, segundo o que foi divulgado, mas também significou uma recuperação quando comparado a 2009. Recuperação cautelosa e demorada.

Mesmo no período anterior à crise do mercado financeiro o setor de shoppings centers já vinha enfrentando dificuldades. Sendo as principais delas a perda de participação das lojas de departamentos (principais âncoras desses centros) e o crescimento de vendas dos Clubes de Atacado e Supercenters, além do e-commerce, que ocorrem fora do ambiente de shoppings.

Parte dessa perda de vendas em produtos vinha sendo compensada pelo aumento da venda de serviços, dentre eles entretenimento e alimentação fora de casa, mas, com a crise financeira e a retração de consumo das famílias, motivada pela perda de poder aquisitivo e redução da renda, esse área de serviços também caiu, trazendo para baixo todo o desempenho.

Esse quadro foi em grande parte o maior responsável pelo expressivo número de investidores e desenvolvedores norte-americanos que vieram para o Brasil e adquiriram participações direta em shoppings, ou indireta, através da abertura de capital de algumas empresas do setor no Brasil.

O drama do setor nos Estados Unidos trouxe e trará consequências diretas para o varejo e os shoppings no Brasil.

No setor dos shoppings, pelo aumento da participação de investidores internacionais, situação que não existia até alguns anos, aumentando investimentos, modificando estratégias e o modelo de gestão. No setor de varejo, pelo aumento do interesse e atratividade pelo setor no Brasil, trazendo mais empresas interessadas em atuar por aqui, como já tem acontecido.

Sempre é bom lembrar que o varejo norte-americano permaneceu enclausurado em seu próprio território, com algumas exceções, durante todo o tempo de forte crescimento do consumo e da economia. E nem haveria razões extremas para ser diferente.

Com a mudança dos ventos e a perspectiva de uma lenta e contida recuperação, muitas redes estão em busca de oportunidades em outros países, sendo a primeira preferência os de língua inglesa e no hemisfério norte, o que torna a lista pequena. Em seguida, aqueles com potencial de crescimento; estabilidade política e econômica; população jovem; e varejo não tão concentrado ainda.

Nesse segundo grupo, inevitavelmente, o Brasil desponta como um destinatário natural do interesse, situação que pudemos constatar nas palestras apresentadas. Da mesma forma como ocorreu na NRF em Janeiro em Nova York, foi obrigatório mencionar as oportunidades e o potencial brasileiro quando o assunto transcendia ao paroquial.


Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br), diretor geral da GS&MD

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