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Correios prepara projeto de BI

Empresa desenha estratégia para adoção de business intelligence. Primeiro ano da iniciativa receberá R$ 2,7 milhões em recursos

 

Um período de intensa consolidação de mercado acelerou a evolução das ferramentas de business intelligence (BI). O avanço da tecnologia elevou expectativas trazendo novas abordagens no uso das soluções que conferiam inteligência aos negócios. A complexidade vivida em um mercado cada vez mais competitivo obriga as empresas a traçar estratégias certeiras para extrair ao máximo o potencial deste tipo de plataforma. Projetos interessantes e ambiciosos começam a aparecer.

As companhias não querem mais decidir o destino olhando pelo retrovisor. Um exemplo disso está na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que pretende, a partir de 2011, tirar do papel uma iniciativa abrangente envolvendo sistemas que tragam mais precisão na hora de definir estratégias. A companhia separou R$ 2,7 milhões - de um orçamento previsto para 2011 na casa dos R$ 126 milhões - para caminhar em direção às ferramentas de BI. O vultoso recurso refere-se apenas ao próximo ano e deve ser elevado à medida que a plataforma avançar.

O desejo de agregar mais inteligência ao negócio não é novo na instituição. Em 2002, quando deu início a um (também grandioso) movimento de instalação de um ERP da JD Edwards, a ideia de adotar uma solução business intelligence já permeava os interesses da área de TI. Com toda sua estrutura corporativa e 24 dos seus mil usuários ligados ao software de gestão, o esforço precisou ser temporariamente adiado até a estabilização da plataforma. Feito isto, veio a possibilidade de pensar em agregar aplicativos mais analíticos.

Já faz cerca de dois anos que oito profissionais do time de tecnologia desenham a estratégia de adoção de uma solução que deve mudar os rumos da companhia. Segundo José Osvaldo Fontoura de Carvalho Sobrinho, CIO da instituição, o BI permeará toda área de TI, buscando informações em 18 sistemas cruciais da empresa. O projeto básico visa a resultados envolvendo formatação de cubos, todo o processo de mineração de dados, dashboards e recursos de balanced scorecard. "Buscamos uma visão mais multidimensional, extraindo tudo que é informação relevante dos processos", estipula.

A licitação com detalhes técnicos para a escolha do fornecedor deve ser publicada a partir de abril de 2010. O executivo calcula que a fase de implantação - prevista para o início do ano seguinte - demandará cerca de dezoito meses de trabalho. "Mas, quanto mais você usa a aplicação, mais aprimora a forma de trabalhar", avalia, apontando uma evolução constante como estratégia para enriquecer cada vez mais a plataforma.


No calcanhar
"Quero respostas para saber os próximos passos dos concorrentes." A frase de Carvalho dá a orientação exata do ponto que será atacado pela instituição. O alvo reside em ganhar competitividade. "Espero que o sistema de BI possa nos antecipar muito em comparação ao mercado", resume o CIO.

Para quem pensa que os Correios detêm monopólio no setor onde atua, o executivo explica que a instituição, cada vez mais, disputa espaço com players dos mais diversos setores. Desde os clássicos operadores logísticos (como Fedex e UPS), passando por instituições financeiras (graças à sua atuação no Banco Postal) e desembocando nas tecnologias (como o e-mail) que diminuem o volume de cartas enviadas.

Com os concorrentes no calcanhar não dá mais para apoiar-se nos dados de ontem para ver como as coisas serão amanhã. "As vendas do último mês são relevantes", afirma o CIO, "mas precisamos pensar à frente". O objetivo dos Correios com o BI é ingressar em um mundo multidimensional não resignando-se mais apenas a informações transacionais - como ocorre hoje em dia. Há algum tempo, a companhia utiliza o SAP BusinessObjects (Crystal Reports e Web Intelligence) para geração de relatórios, mas o executivo quer ir além. "Existem diversas coisas ocorrendo no mundo todo que podem enriquecer nossa tomada de decisão", vislumbra o executivo.

A expectativa é jogar estes dados externos na ferramenta, somá-los com o que existem nos data warehouses corporativos e começar a identificar padrões de comportamento e tendências para ações futuras.

O diretor cita que a empresa busca referências de projetos em vários casos de aplicação de soluções similares a esperada no Brasil e no exterior. A instituição também mapeia e pesquisa e ferramentas no mercado. Enquanto isto, realiza testes de um sistema desenvolvido em open source para verificar a aderência de uma plataforma de business intelligence à sua realidade. A expectativa parece alta, mas Carvalho nega que o potencial da tecnologia esteja superestimado. "É um projeto ambiciosos, mas nada diferente do que os principais bancos já fazem hoje", compara.

Ano após ano, consultorias de TI colocam os aplicativos BI entre as prioridades dos departamentos de informática. O Gartner, por exemplo, situa a tecnologia nas primeiras posições de sua lista de prioridades dos CIOs desde 2006. Na visão de Andreas Bitterer, vice-presidente de pesquisa do instituto, muitas iniciativas envolvendo esse tipo de aplicações falham, pois muitas companhias esquecem de estabelecer questões relevantes como governança, padrões para inserção de dados e condução de projeto, contentando-se apenas com coloridos dashboards e relatórios.

De acordo com o instituto, o mercado mundial de soluções de inteligência de negócio movimentou US$ 8,8 bilhões em 2008. Números mais recentes ainda não foram divulgados pela consultoria. Segundo Bitterer, em 2012, mais de 35% das cinco mil maiores companhias globais falharão em decisões críticas, por problemas no seu BI. Com todo cuidado dispensado e zelo na condução da iniciativa até o momento, é de se esperar que os Correios atinja êxito na execução de sua estratégia e não caia na estatística da consultoria.

9 pontos de falha em projetos de BI
1. Acreditar que a ferramenta, por si só resolverá questões estruturais
2. Manter silos departamentais de dados
3. Negar problemas de qualidade nos data warehouses
4. Menosprezar plataformas de BI ou comprá-las apenas com base em menor preço
5. Não evoluir o sistema com o tempo
6. Terceirizar a ferramenta para economizar
7. Restringir seu uso apenas aos dashboards
8. Simplificar os resultados obtidos
9. Não adotar uma estratégia focada na ferramenta
Fonte: Gartner

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